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Quando decidiu deixar Sergipe com destino a Buriti do Tocantins (TO), a ex-costureira Antônia Maria Bezerra, vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2006, não sabia que mudaria não somente o seu destino, como também o de dezenas de quebradeiras de coco de babaçu. Lá se vão 33 anos, quando Antônia e seis filhos pequenos subiram na carroceria de um caminhão pau-de-arara para uma travessia de quase dois mil quilômetros, que levou longos seis dias.

Mesmo sem conhecer nada, nem ninguém, a nordestina driblou as dificuldades juntando-se a um grupo de seis mulheres quebradeiras de coco de babaçu. O trabalho árduo com o machado, arrebentando cascas para extrair amêndoas (castanhas), se estendia por quase dez horas diárias, sem descanso. Tanto esforço representava R$ 0,50 porcada quilo de castanhas vendidas in natura.

A labuta desgastante reforçou o espírito de solidariedade e cooperação entre as quebradeiras. Elas descobriram que, além da venda da amêndoa, também podiam ganhar com o processamento do coco de babaçu: ele virava leite de coco, azeite, sabão, pó ou farinha de mesocarpo (polpa que envolve o coco, rica em amido, fibras, e sais minerais). Aos poucos a renda foi aumentando, e a vida melhorando. Mas ainda havia muita discriminação e condições de trabalho desfavoráveis. Liderada por Antônia, a cooperativa informal almejava se tornar uma associação, a fim de garantir melhores condições de trabalho e direitos para as quebradeiras.

Em 1988 surgia a AMB (Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti do Tocantins), a primeira da região, com 110 sóciasfundadoras. A trajetória das aguerridas quebradeiras ganhava novo fôlego: uma parceria com a ONG Visão Mundial garantiu patrocínios que contemplavam o atendimento a 1,2 mil crianças, e propiciou a estruturação financeira e administrativa da associação. A partir de 1995, a AMB já contava com uma rede ampla de parceiras com instituições públicas e privadas, e em 2000 inaugurava a própria sede: uma área com cinco prédios, com salas de aula, biblioteca, padaria e lanchonete. “Consegui o que eu tenho com dinheiro da venda do babaçu: os móveis da casa, a filha na faculdade, o aluguel da casa onde moro”, orgulha-se Antônia.

Para mais informações acesse
www.sebrae.com.br

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